Na poética do amanhã
A cada manhã nova
Novos raios de sol do mesmo sol
Chegam nessa terra que gira sobre o mesmo eixo
Na origem do fio do dia de hoje
Se estende uma ponta do desconhecido
Esse mistério
Do indefinido e não cumprido
Do destino e do livre arbítrio
Da rotina e do lapso
Avanço um passo
A cada compasso
Reflito um sonho
Um tempo adentro
Um girassol risonho
Sol a cada dia o mesmo sol
Nas ruas
As calçadas desalinham
O momento crucifixo
No entardecer lotada a Central
As oitavas decimais
Noite gira mundo repete tudo
Cada cão que lamba sua caceta
Mas pagando bem que mal tem
No topo todos querem aparecer
No que parecer melhor confesso
Que sonho
Sonho dantes as promessas
Dos vencidos
Dos humilhados
Dos sofridos
Sol girando
Um girassol risonho
Diante o medo do fracasso
Fracasso eterno
Da minha raça humana
Doente e solitária
Humana demais para perdoar
O amanhã que será
Que talvez
Tenho um sonho
Sonho breve
Sonho morto
Abarrotado de sonho
O que concretiza é o concreto
O concretado
Não plantei aqui esta árvore pelo belo verde
Do ar me faço
Da chuva vivo
O belo verde me vem de graça
Cadê que gira o sol de novo
No amanhã se eu me renasço
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